O mundo de Rachel

 

A obra “A Rapariga no comboio” integra-se no género textual de suspense e thriller psicológico. Foi escrito pela autora Paula Hawkins, sendo publicado pela primeira vez no ano de 2015. A narrativa alterna entre o ponto de vista de três personagens, Rachel (a protagonista), Megan e Anna.

O livro apresenta-nos uma mulher chamada Rachel, que possui o hábito de todos os dias utilizar o comboio como meio de transporte para ir trabalhar, em Londres. Durante o percurso, Rachel aproveitava as paragens do comboio para observar as casas e os seus respetivos moradores, dando especial atenção a uma casa específica, onde começa a atribuir nomes ao casal que ali vive e chega, até, a imaginar como seria a sua vida. Um dos motivos para a protagonista prestar esta atenção, para além do tédio, é devido ao seu ex-marido morar naquelas proximidades, com uma nova família, na mesma residência onde moravam quando eram casados. 

No decorrer da história, descobrimos que a rapariga se encontra desempregada e mente à colega com qual divide o apartamento, por vergonha em contar-lhe que não possui um emprego. Sabemos também que Rachel é alcoólica. Por tanto observar a moradia do casal, a protagonista apercebe-se quando ocorre algo diferente na casa e esta situação causa-lhe estranheza. Então nota que Megan, moradora do local que tanto admira, desapareceu. Na mesma noite do desaparecimento, a rapariga do comboio estava embriagada e decidiu parar na mesma estação onde se encontra a casa do seu ex-marido e a moradia tão observada. Logo depois, com pouca consciência,volta para o seu apartamento. Na manhã seguinte, acorda magoada e sem conseguir perceber como aconteceu e o que a levou a esta situação. A partir deste momento, Rachel envolve-se nesta investigação por acreditar que possui informações importantes, por sentir-se motivada por um desejo tão forte de ajudar, que não consegue compreendê-lo. A narrativa desenvolve-se em torno deste acontecimento que acaba por ligar a vida destas três mulheres, Rachel, Megan e Anna.

Na minha perspetiva, o livro possui uma abordagem psicológica, pois a escritora privilegia os conflitos interiores na narrativa, ou seja, as sensações, as emoções e os pensamentos das personagens são essenciais. Devido a este facto, escolhi o título “o mundo de Rachel” para a minha apreciação. Em alguns momentos, a autora mostra-nos uma Rachel atrapalhada e patética que esconde histórias de abuso e traumas, na posição marginalizada que ocupa em alguns âmbitos na sociedade. A fragilidade da rapariga convoca-nos, desde o início, para desconfiar de que ela seja a “vilã”, no entanto, ela é o maior sinal da sua história de sofrimento. 

A obra apresenta uma história envolvente, que nos instiga a lê-la cada vez mais. É um livro intenso, que faz com que embarquemos nesta aventura. Portanto, recomendo a sua leitura para os amantes de suspenses psicológicos.

 

Ana Beatriz

11CTA,

Março, 2020

Sob orientação da professora Fernanda Pereira