Obra: O tatuador de Auschwitz

 

Autora: Heather Morris

Editora: Editorial Presença

 

O tatuador de Auschwitz é mais uma obra incluída na temática que versa sobre o Holocausto. Este romance foi escrito por Heather Morris e relata a história de amor e sobrevivência de dois prisioneiros judeus em Auschwitz, Lale e Gita.

Lale, originalmente Ludwig Eisenberg, nasceu a 28 de outubro de 1916 na Eslováquia. Gita (Gisela Furman) nasceu a 11 de março de 1925.

Lale esteve durante os 3 anos num campo de concentração em Auschwitz, onde foi incumbido de ser o tetovierer , ou seja, tatuava os prisioneiros com uma sequência de números no braço, quando estes chegavam ao campo. Durante o seu “serviço” conheceu Gita; a paixão por esta foi imediata, bastaram apenas os escassos segundos em que a tatuou, tendo essa paixão permanecido ardente e indomável durante uma vida. Este amor foi decisivo para juntos suportarem aquilo que foi um dos episódios mais negros da humanidade, repleto de horror, medo e pavor, ou seja, sobreviver num campo de concentração (“Eu tatuei o número dela no seu braço esquerdo e ela tatuou o seu número no meu coração”).

Ao longo da obra, vamos gradualmente, através de memórias, pensamentos, emoções e ações, conhecendo Lale. Este, já em jovem, demonstrava o respeito e admiração pelas mulheres (em especial pela sua mãe). Durante a sua presença no campo, revelou ser generoso e caridoso, partilhando o pouco que tinha com os outros prisioneiros, mas, acima tudo, apesar de todo o horror e medo, sempre tentou transmitir aos outros uma mensagem de esperança e tranquilidade. Lale era um lutador e um apaixonado, pois nunca abdicou do seu amor por Gita e sempre lutou para estar com ela, apesar do perigo associado.

A escrita desta obra é fácil de entender, provocando no leitor fortes e intensos sentimentos como, por exemplo, de ódio pelos oficias das SS ou aversão e repugnância pelas descrições pormenorizadas. Sentimos o sofrimento das personagens e até sofremos com elas. Esta narrativa também cativa o leitor, envolvendo-o na história, sendo difícil parar de a ler, motivado pelo interesse em desvendar o desfecho final.

Concluindo, este livro é uma verdadeira antítese, pois assenta em opostos, a esperança que nasce do medo e do horror. O amor de Lale e Gita é tão grande como a vontade de serem felizes e sobreviverem ao inferno, aquele que foi uma das partes mais negras da história da humanidade.

Aconselho, vivamente, a todos a leitura desta obra, mesmo que não estejam dentro do tema de segunda guerra mundial.

 

António Henriques, 11.º CTA

Março, 2020