Mensagem de Audrey Azoulay,

Diretora-Geral da UNESCO,

por ocasião da Semana Internacional de Educação Artística

25 - 31 de maio de 2020

 

"Depois do terramoto do Haiti, surgiram muitos pintores, músicos e poetas.  Convertemos a catástrofe em flores, que oferecemos ao mundo".  Com estas palavras poéticas, o escritor haitiano-canadiano Dany Laferrière descreveu a "explosão criativa" que ocorreu após o terramoto de 2010.

Hoje, o mundo enfrenta outra tragédia, que expõe a nossa interdependência e fragilidade.  E, uma vez mais, estamos a testemunhar o incrível poder da criatividade humana.  No mundo inteiro, as artes estão a revelar-se como um poderoso antídoto para o confinamento, uma saída para expressar sentimentos e, sobretudo, uma das formas mais universais de partilhar, elevar e expressar solidariedade.

A criatividade gera a resiliência de que precisamos em tempos de crise. Deve incutir-se desde a mais tenra idade para libertar a imaginação, despertar a curiosidade e desenvolver o apreço pela riqueza do talento humano e pela diversidade.  A educação é o lugar onde tudo isto começa.

Num contexto sem precedentes em que 91% dos estudantes do mundo são afetados pelo encerramento de escolas, mais de 90% dos museus fecharam as suas portas e os artistas de todo o mundo não conseguem sobreviver, a Semana Internacional de Educação Artística assume um significado especial

Temos visto, por todo o lado, programas e atividades de educação artística fomentarem as ligações entre as pessoas e as comunidades. Estas iniciativas que sustentam a aprendizagem durante o encerramento das escolas inspiram esperança face à adversidade, quebrando um sentimento de isolamento e ajudando os alunos a desenvolverem a sua autoconsciência, a resolverem conflitos internos e a recuperarem de traumas e perdas.

No entanto, a educação artística não é apenas um meio para fazer frente a situações de crise.  Ela contribui para o bem-estar socio emocional e melhora os resultados da aprendizagem.  É um motor para o desenvolvimento social e económico.  É uma alavanca importante para despertar talentos, que são essenciais para manter e renovar a criação artística, assegurando a sustentabilidade do setor criativo.  Se for dada maior prioridade aos sistemas educativos, a educação artística pode representar um excelente recurso para abrir as mentes à diversidade das expressões culturais do mundo, criando gerações de estudantes dotados de conhecimentos, competências, valores e atitudes necessários à constituição de sociedades mais fortes, mais sustentáveis e pacíficas. 

A pandemia despoletou ainda mais a consciência da necessidade de incorporar na aprendizagem mais conteúdos socioemocionais e criativos.  A UNESCO está a aproveitar o poder da educação e da cultura para trabalhar em conjunto na reconstrução física, social e económica através, por exemplo, do seu projeto de reconstrução de sítios culturais e educativos de Mossul.  Através da nossa Rede de Escolas Associadas, que inclui mais de 11.500 instituições em 182 países, promovemos também atividades que, através das artes, suscitam a reflexão sobre questões mundiais, desde a proteção ambiental ao acolhimento de refugiados.  Trabalhamos também para promover a diversidade cultural e integrar o património cultural material e imaterial na educação, incentivando a valorização da nossa humanidade comum.

A Semana Internacional de Educação Artística é uma oportunidade para promover a aprendizagem com e através das artes, de modo a melhorar a qualidade e a relevância dos nossos sistemas educativos, fomentar o pensamento criativo e aumentar a resiliência.

A UNESCO - como única agência das Nações Unidas com um mandato central que engloba a cultura, o património, as artes, a criatividade e a educação - está empenhada em unir forças com os seus Estados-Membros para intensificar a cooperação, mobilizando a sociedade civil, os educadores e os profissionais das artes para aproveitar em pleno o potencial, tanto da cultura como da educação.

Neste dia, convido-vos a juntarem-se a nós na celebração da Semana Internacional de Educação Artística para que possamos converter esta catástrofe em flores, para oferecer ao mundo.

 

Artigo proposto pelo projeto UNESCO do AEGP