Mensagem de Audrey Azoulay,

Diretora-Geral da UNESCO,

por ocasião do Dia do Património Mundial Africano

 

 

5 de maio de 2020

 

 

Num momento em que vivemos um período de crise, ansiedade e incerteza, o Património Mundial, Cultural e Natural, constitui um recurso inestimável que alimenta a nossa resiliência, nos ajuda a encontrar soluções e a iluminar o futuro. É este o papel que o Património Mundial Africano, celebrado neste Dia, pode desempenhar tanto para as populações africanas como para a humanidade no seu conjunto.

Apesar do encerramento de quase todos os sítios do Património Mundial, apesar do confinamento que impede o património imaterial de ser praticado em público, este património está mais vivo do que nunca, como pudemos constatar com a nossa campanha "#ShareOurHeritage".

Esta campanha presta homenagem, em particular, aos homens e às mulheres que trabalham diariamente para preservar e manter estes sítios apesar das crises e das dificuldades e até, por vezes, desafortunadamente, colocando as suas próprias vidas em perigo. O encerramento dos sítios representa um enorme desafio para estas pessoas que, mais do que nunca, necessitam do nosso apoio e reconhecimento.

Este ano, o tema do Dia sublinha igualmente a importância do compromisso da juventude que é real e necessário, pois só através do envolvimento dos jovens o património continuará a ser a seiva vital que irriga a cultura africana contemporânea.

Com efeito, os artistas africanos demonstraram durante este período conturbado como podem desempenhar um papel fundamental numa crise como a que estamos atualmente a atravessar.

Muitas vezes, encontram-se na linha da frente da sensibilização, como pudemos constatar com a nossa campanha "#DontGoViral": a mobilização de escritores, pintores, cantores, artistas criativos e especialistas, desenvolvendo ações concretas para combater a desinformação e a propagação da COVID.

Ao continuarem a criar e a dar vida à sua arte estão a lançar as bases para o mundo que se segue a esta crise. Encontrarão certamente no património cultural e natural africano um recurso infinito e, entre os seus defensores, aliados inabaláveis. Pois no mundo pós-COVID, para reabrirmos o futuro teremos de nos ancorar em tudo o que compõe a riqueza do nosso mundo e da nossa humanidade.

Este dia é, portanto, uma oportunidade para homenagear todos estes artesãos do futuro, particularmente os jovens, os artistas, os profissionais do património ou simples amadores: pois ao trabalharem para preservar este património da humanidade, permitem que todos, no mundo inteiro, enriqueçam com a inesgotável riqueza cultural e natural do continente africano.

 

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Artigo proposto pelo Projeto UNESCO do AEGP