O rei vai nu. O cortejo real, desta história intemporal de Hans Christian Andersen, prossegue também nas redes sociais dos tempos modernos. A vaidade acompanha o rei e com os burlões segue a ganância. As fantasias, que inevitavelmente nos toldam, a cada um e a todos, desde o nascimento, e que consideramos serem a própria “realidade”, são permeáveis a todos os pecados e virtudes. Mas adiante, porque o rei já lá vai à frente.

Parece que, recentemente, um certo milionário comprou um vestido virtual para a sua mulher exibir nas redes sociais. Apesar de a vermos, com os olhos que a terra há de comer, coberta com um tecido resplandecente e diáfano, a mulher não surge nua. Segundo o milionário, tratou-se de um gesto de amor a par de um investimento. Não valerá a pena rirmos já, nós, o povo, pois diz-se que, em breve, vai ser natural usarmos roupas virtuais nas redes virtuais. Pois sim, dai ao virtual o que é do virtual, num passo de realidade aumentada. E assim, vamos dando novos mundos ao mundo, na quimera do ouro. O que fica a nu é a capacidade inesgotável de criarmos ilusões com que se confundem multidões. Isto sempre aconteceu, mas há que continuarmos atentos! 

Como a conversa ficou demasiado séria, vou brincar com o assunto. Um destes dias, quis fazer um “estudo” rápido sobre pinturas para cobrir as portas de um armário de casa. No meu tablet, fiz vários esboços sobre a foto do armário. Vamos pois supor que vos convido a ver o meu armário pintado de forma virtual. Ora vejam a imagem acima. Hummm, o que eu quero é mesmo tê-lo, mais ou menos assim, dentro das minhas quatro paredes, pintado com tintas reais e com gastos modestos.

 

 

Mª do Céu Rodrigues (professora bibliotecária) - Este texto serve de exemplo para a rubrica "Visão crítica", através da qual os alunos são convidados a escrever textos argumentativos com o intuito de desenvolverem o sentido crítico.